quarta-feira, 22 de junho de 2011

E quem um dia irá dizer...

Hoje de manhã a música tocou no rádio.

O fato é que já faz alguns dias que venho pensando nesse post assunto.

Existe toda uma cultura de "E viveram felizes para sempre" que nos é enfiada goela abaixo desde pequenininhas, muito antes de aprendermos a ler. Antes até de termos alguma ideia do que é felicidade. Então crescemos acreditando nisto, né? Não importa quanto a gente rale, quanto a gente se sinta feia, quanto a colega de turma arme contra... no fim, o príncipe encantado/garoto descolado/empresário bem-sucedido sempre vai aparecer, se apaixonar e então... "seremos felizes para sempre"!

Como diria Lulu Santos: "Fica muito bem em cinema, o romance do romance ideal. Só vamos então deixar combinado: aqui é a vida real!"

Pois é... quem não gostaria de viver uma comédia romântica? Só tem uma coisa de que nos esquecemos sempre: a comédia romântica acaba. O filme termina. O roteiro chega ao fim. E, depois que isso acontece, o jeito é improvisar.

Eu já tive a minha comédia romântica. E olha que foi um filme loooongo, se fosse para o cinema, teria umas três horas de duração. E houve de tudo: enamoramento, paixão, descoberta, briga, interferência... no fim, o tradicional reencontro, o casamento e o final feliz.

Acontece que esse final feliz foi em maio de 2004. Pronto. Fim. Subam os créditos. O roteiro acabou.

Mas, como diria Herbert Vianna, "a vida não é filme, você não entendeu!" E aí a vida não acabou junto com o roteiro. Na verdade, estava só começando...

Só que essa é a parte que ninguém nunca contou, porque perde um pouco a graça, sabe? Fica um tantinho mais difícil. E o tempo... ele não ajuda muito também. Ele inevitavelmente faz as pessoas se isolarem um pouquinho, mudarem de rumo, de jeito, de interesses. Às vezes a gente se vê nadando contra a corrente pra tentar chegar mais perto do outro. Às vezes a gente cansa de nadar. Aí a gente briga. Reclama. Acha que vai se afogar...

Só que, gente, não entramos nesse barco sozinhos, né? Então, nessa hora, o outro joga uma boia, mergulha junto pra ficar do lado, dá uma forcinha (se ele souber fazer respiração boca a boca, melhor ainda!). E aí parece que somos felizes para sempre de novo.

É mentira. Como diria Renato Russo, "o pra sempre sempre acaba". Somos felizes, ponto final. Somos felizes, sim. Muito. Por um dia, um fim de semana, um mês, um ano... até a próxima briga. Não pensem que ela nunca vai acontecer. É claro que vai! E então nos afogaremos... até o próximo salvamento...

E agora eu volto à música que tocou hoje de manhã.
Porque "os dois comemoraram juntos e também brigaram juntos muitas vezes depois. E todo mundo diz que ele completa ela e vice-versa, que nem feijão com arroz."

E de repente tudo fez sentido.
E eu chorei de felicidade.

"E quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer que não existe razão?"

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